Poesias de 1 a 99

Poema: #12: Exercício Pessoano

A chuva veio tomar
os meus pensamentos
e me puxou pelo braço… assim inteiro
e já não me sou…deixei de ser…
somos e não somos.
Várias vozes… absorção.
Um senão!

E fica a impressão
de que a vida se abandona
na brevidade acelerada das coisas…
e não somos! Fingimos ser…
Inventamos, copiamos, fazemos um rascunho…
E nos deparamos com o sentido inoportuno
de não querer entender
e somos!

Vencido o humano,
bandeiras ao vento, mastros,
coração tremulando aos farrapos…

Quando se escreve, há o momento da perda…
e, no perder-se, encontramos
o que no cotidiano…
damos o nome de poesia.

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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